terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Seu" Josias


Caminhando pela rua Divina Pastora, entre as ruas Capela e Lagarto, “seu” Josias, 61 anos, sentia o cheiro de alho e cebola que se misturava ao ar quente daquele meio-dia de verão. Entrou em dos frege-moscas e pediu um PF de bife acebolado e uma Caracu.

Enquanto aguardava seu pedido, observava o ambiente que ia, aos poucos, carecendo de mesas desocupadas. Os fregueses eram camelôs; representantes de produtos, desses vendidos de porta em porta, que do nada surgem e do nada desaparecem; e gente como ele, que costumava vaguear pelas ruas durante o dia e só ia à casa para dormir. A hora da fome atraía todos aos pequenos restaurantes baratos como insetos que orbitam uma luminária.


Depois do almoço, caminhou pela rua até chegar à av. Carlos Firpo. Seguiu norte, passou pela rua Santa Rosa e entrou à direita na rua seguinte. Sentadas em escadas estreitas mulheres de vida (nada) fácil piscavam o olho ou faziam biquinhos em forma de beijo. Às vezes, faziam as duas coisas ao mesmo tempo, o que as deixavam menos atraente ainda, pois pareciam fazer uma careta.

Ele parou e olhou para uma delas:

- Oi, gatinha, vai por quanto?

- Cinquenta reais.


- Vamos.


Subiram a escada estreita. A mulher, sem dúvida, uma habitué do local, fala para o rapaz no balcão:

- O quartinho com ventilador e banheiro tá desocupado?

- Dez reais “antecipado”.


No quarto, sentado na cama, ele diz:

- Quero apenas um strip-tease. Fique sossegada que pago pelo combinado.

A mulher subiu na cama e tirou o vestido de uma vez. Tirou o sutiã e a calcinha, fingiu estar dançado:

- E agora, o que faço?

- Fique de quatro, rebolando, até eu pegar no sono. Quando completar o tempo do quarto, você me acorda. Não adianta maquinar nada pensando em dar o golpe da “limpeza”. Eu só tinha sessenta reais na carteira mesmo.



Telemerda



As TELEs mudaram de nome, mas continuam todas a mesma MERDA!

domingo, 13 de junho de 2010

Cala a Boca, Galvão!


Uma inusitada campanha no Twitter levou o tópico "Cala a boca Galvão" ao primeiro lugar dos assuntos mais comentados no seviço de microblogging. Até mesmo os gringos, por desconhecimento do idioma, entraram na campanha.

Primeiro, dizia-se que "Cala a boca Galvão" seria um novo hit de Lady gaga. Mas o ápice da piada foi mesmo associar Galvão a uma rara ave brasileira que estaria em extinção. "Cala a boca" seria "save" (salvem) e Galvão seria o nome da tal ave rara. Até mesmo Paulo Coelho postou no seu twitter: "CALA BOCA GALVAO (SILENTIUM GALVANUS); homeopathic drug for apoplexy during soccer matches. No prescription required." [1]. O mais divertido, porém, foi um vídeo "educativo" publicado no YouTube [2], que fala até da matanças dos raros Galvões para retirada das penas para enfeites de fantasias no desfile do carnaval.

Mas como será que Galvão, o locutor, encara a campanha? Ele responde dizendo que "mas se não ouvirem com minha narração, como terá graça a Copa? terão uma Copa sem emoção. então vamos com emoção :)" [3]. Ainda no seu twitter, o narrador encara a campanha e diz : "bem ou mal, falem! mas assistam e torçam comigo :)" [4]. O fato é que, apesar de ter um lado humorístico, a campanha reflete a insatisfação de quem depende da TV aberta apara assisir a um jogo da Copa e é obrigrado a ouvir os trinados desse pássaro raro, criado no cativero da Globo.




[1] http://twitter.com/paulocoelho/status/16015292691
[2] http://www.youtube.com/watch?v=bdTadK9p14A
[3] http://twitter.com/galvaobueno/status/15870391846
[4] http://twitter.com/galvaobueno/status/15871946387

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Uma Manhã de Domingo


Era uma daquelas manhãs de domingo em que tudo que se deseja é dormir até mais tarde. Mas o que seria um sono prolongado foi interrompido, às nove em ponto, pelo som campainha.


O portão de madeira tem uma portinhola que pode ser aberta para ver quem está a chamar. Eram duas mulheres. A mais jovem falou:

- Nós estamos levando a palavra de Deus às casas das pessoas. Você gostaria de ouvir um pensamento da Bíblia?

- Não, obrigado.

Fechei a portinhola. Ainda há tempo para dormir mais, pensei. Posso a qualquer momento ir a uma igreja. Por ora, não preciso do serviço em domicílio.

Estava novamente adormecido quando, mais uma vez toca a campainha. Meio dia e meia. Dormi demais, deveria ter me acordado e levantado mais "cedo" para preparar algo para comer.

Ao abrir a portinhola, está um entregador, de moto, com uma embalagem:

- Seu almoço.

Fiquei, por um momento, aturdido. Mas raciocinei rapidamente. Ele deve ter errado o endereço.

- Quanto foi mesmo o valor total?

- Vinte e nove reais e quarenta centavos.

- Um momento, vou pegar minha carteira.

Voltei e passei trinta reais ao entregador. Peguei a sacola. O Almoço estava garantido. Mas antes mesmo que eu pudesse ver o que tinham pedido para eu almoçar, a campainha toca mais uma vez. Era o entregador novamente. Diabos, pensei, ele deve ter percebido o engano. Que nada:

- Desculpe. Esqueci de entregar o refrigerante.

Almocei e fui dormir. Achei melhor não atender mais aos chamados da campainha.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Escudo Aéreo


Estava de férias. Ainda dormia quando o telefone tocou. Do outro lado da linha alguém falava apressadamente:

- OS ESTADOS UNIDOS ESTÃO SENDO ATACADOS! OS ESTADOS UNIDOS ESTÃO SENDO ATACADOS!

- Como é que é?

- LIGUE NA CNN! LIGUE NA CNN!

Era um amigo meu que tinha telefonado. Ainda sonolento, liguei a TV na CNN. Lá estava a imagem das torres gêmeas do WTC. Uma delas "fumaçando". O ouvido foi se ajustando aos poucos. A informação era de que um avião tinha atingido uma das torres. Pouco depois, na transmissão ao vivo, vi a outra torre também ser atingida por outro avião. Fiquei literalmente boquiaberto.

Algumas semanas antes eu tinha lido algo sobre Bush Jr. e o projeto de um escudo aéreo para defesa dos Estados Unidos. Mas o ataque veio de dentro: aviões comerciais, sequestrados por pilotos suícidas.

É, não ia ter escudo aéreo que resolvesse um caso desses...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Na Oferta


Depois de fazer o pedido de um sanduiche e um suco de laranja, a caixa pergunta ao cliente:


- Gostaria de comprar na oferta, senhor, com fritas?

- Não, obrigado. Não quero batatas.

- Coca-cola média, não é, senhor?

- Acabei de dizer que era suco de laranja...

- Se o senhor pagar o sanduiche e o suco apenas sai mais caro do que na oferta com fritas.

- Não, obrigado. Não quero batatas.

- Na oferta, o senhor vai pagar menos e ainda tem fritas.

- Não, obrigado. Não quero batatas.

- Vai ficar 75 centavos mais caro do que na oferta com fritas.

- Não, obrigado. Não quero batatas.

- Pode aguardar na mesa que serviremos.

Quando chega a bandeja, lá estão as batatas impertinentes.

- Eu pedi sem batatas. Veja minha nota.

A garçonete olha o comprovante do cliente e diz:

- Ah, mas olha, não tem problema, pode ficar com as fritas.

- Não, obrigado. Não quero batatas.

- Pra devolver é complicado pra mim.

- Não, obrigado. Não quero batatas.

- Mas é de graça as fritas.

- SÃO de graça?

- É, sim.

- Não, obrigado. Não quero batatas.

- Deixe na bandeja mesmo. Se eu levar de volta vai para o lixo do mesmo jeito porque não pode ser devolvido.

- Não PODEM ser DEVOLVIDAS?

- Não...

O cliente levanta-se, pega as "batatas" e vai ao caixa:

- Aceita "fritas" na oferta, SENHORA?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Nikolai


Nikolai, ao pegar a chave do quarto, percebeu que estava no ponto em que o seu corpo já não ia mais resistir ao cansaço. Precisava, todos os seu músculos exigiam, descansar. Talvez ainda resistisse a um banho. Uma refeição, nem pensar. Era melhor dormir logo de uma vez.

Decididamente, o hotel era uma espelunca. Olhou para o chaveiro. A chave era idêntica a essas de abrir lata de kitut. Uma argola a prendia a um pequeno pedaço de madeira, com o número do quarto: 109. Menos mal, ficaria no andar superior, provavelmente mais silencioso.

Subiu as escadas. Sua única bagagem era uma pequena sacola de mão. Era o último quarto do corredor, à esquerda. Girou a chave, que não lhe inspirava confiança alguma, na fechadura e abriu a porta.

Ao entrar, olhou detida e demoradamente o quarto. Apesar da miserabilidade do lugar, estava tudo arrumado. O cheiro de mofo misturava-se ao de algum spray aromático. Não tinha janela. Apenas um pequeno basculhante de ferro, com três vidros, estando um deles quebrado. Finalmente, fechou a porta atrás de si, a única do quarto, pois o banheiro era coletivo. Pode então observar que colado atrás da porta estava um espelho. Era o resto do que um dia fora um espelho retangular, verticalmente disposto. Restava a maior parte dele. Um dos cantos não estava lá. Quebrara-se deixando a marca de sua existência numa diagonal semi-circular.

Nem banho, nem refeição. Deitou-se. Adormeceu.

A claridade que entrava pelo pequeno basculhante tomou-o de sobressalto. Não sabia exatamente que horas seriam, mas parecia ser cedo. Levantou-se e foi ao banheiro para finalmente tomar um banho. O lugar não parecia estar movimentado e demorou-se bastante deixando a água do chuveiro escorrer pelo corpo, enquanto cobria o rosto com as mãos e pensava. O espelho do banheiro, apesar de manchado, estava inteiro. Precisava barbear-se. Tinha esquecido no quarto, na bagagem, seu pequeno barbeador elétrico sem fio e o spray de espuma.

Voltou ao quarto. Ao abrir a porta, sentiu que ela esbarrava em algo. Tentou novamente, dessa vez abriu normal e tomou um susto. Tinha alguém atrás da porta. Estava usando o espelho, espuma na cara, barbeador elétrico na mão. Pensou que tinha entrado no quarto errado, mas o número estava correto, era o 109. Olhou para o outro homem sem entender. De imediato olhou para sua pequena bagagem sobre a cama. Estava aberta.

- Esse é o meu barbeador? Minha espuma?

- Olha, eu estava precisando me barbear e pensei que você não se importaria em me emprestar um pouco de espuma e o seu barbeador...

Afastou-se um pouco, sentiu o ódio esquentando o sangue em suas veias. Deu, então, um único soco no rosto do desconhecido. A força vinda da loucura ou da raiva momentânea superando a que normalmente teria. O desconhecido bate a cabeça no espelho da porta. Mais um pedaço que se quebra. Cai no chão, inerte, desmaiado, talvez morto. Uma pequena marca de sangue na porta. Sangue em sua mão. Viu que tinha cortado um dedo, provavelmente batera nos dentes do desconhecido.

Enrolou a mão com uma camisa e desceu. Pagou a conta e saiu.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Somos O Que Comemos?


Há pessoas que comem televisão. Há as que ruminam novelas. Recuso-me a dizer o que sai das "partes baixas" de algumas outras.

domingo, 31 de maio de 2009

O “Cuião”

Era 1957, em uma pequena escola do interior. A professora escrevia no quadro. Uma das alunas se aproxima e reclama:

- Ele me chamou de cuião.

A professora manda a aluna sentar-se, apaga tudo o que estava escrito no quadro e ignora a reclamação dos que ainda não tinham copiado. Começa a desenhar no quadro. Após concluído o desenho, volta-se para a turma e pergunta:
- O que está desenhado no quadro?


Todos afirmam ser uma árvore com frutos de diversos tamanhos.
A professora agora fala:


- Imaginem então que vou pegar três desses frutos, um grande, um normal e um pequeno. Vou partir cada um deles ao meio.


Falando isso, desenhou os frutos partidos ao meio e falou para a turma:


- Como vocês podem ver, essa é a árvore da cabaça. Cada fruto, quando partido ao meio, forma duas cuias. Elas podem ser pequenas, grandes ou do tamanho normal. Vejam essa cuia grande... É um verdadeiro cuião.

E falando bem ríspida com a turma:

- AGORA ME DIGAM, QUEM ESTÁ CHAMANDO OS OUTROS DE “CUIÃO”?



domingo, 10 de maio de 2009

Space, the Final Frontier...


Quando tive contato com a série Star Trek, que tinha sido produzida antes mesmo de eu ter nascido, imediatamente, me tornei um fã. Eram reprises, décadas depois da exibição original, mas a série continuava atual. Continua, sem dúvida.

Jornada nas Estrelas é um ícone da cultura popular. O motivo de tanta popularidade, como bem observou Stephen Hawkins, "é a visão segura e confortante do futuro". Além disso, a série tem uma espécie de cânone, ou seja, o conjunto dos acontecimentos dentro do seu universo é coerente. A cada lançamento, os fãs, claro, vão observar atentamente tal coerência.

Depois de seis séries (clássica, série animada, nova geração, deep space 9, voyager e enterprise) e dez filmes, estreou "Star Trek". Após assistir ao décimo primeiro filme da franquia, há três pontos mais importantes a se observar. A destruição de Vulcano, o affair de Spock com Uhura e a travessia de Spock (o original) pela singularidade.

Vulcano sempre esteve no seu lugar durante todas as séries e filmes. Não poderia ter deixado de existir em um tempo anterior. Será que um novo filme corrigiria essa distorção ou tudo que se conhecia do universo Star Trek foi destruído e um novo começo seria criado?

Na série clássica, em alguns episódios, eu ficava com a impressão de que Uhura tinha uma "queda" por Spock, mas tinha a certeza de que nunca ocorrera algo entre eles. Como também explicar isso?

Essas perguntas talvez possam ser respondidas imaginando que Spock (o original), ao atravessar a singularidade, não apenas voltou no tempo, mas foi transportado para um universo paralelo, uma "realidade alternativa". Assim, as possibilidades seriam imensas e toda história da Federação, no universo que conhecemos através das séries, estaria preservada.

Dessa forma, "Sar Trek" é um filme que pode divertir os antigos e novos fãs. Pode até mesmo divertir quem não quer se preocupar com a série.

Live long and prosper!

ou, se preferir,

Good luck!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Porras


Estávamos os três reunidos na biblioteca da universidade.


No mundo acadêmico, sabe como é, não basta redigir, não basta afirmar, tem de dizer quem disse. Você olha para o céu, vê que é azul, mas não pode escrever isso sem por antes o nome de alguém que tenha feito tal afirmação em algum livro. No fim, sabe-se que o céu não é azul, mas ficam todos satisfeitos, professores e alunos.

O parágrafo mal tinha sido redigido e o mais engraçadinho dos três logo pergunta:

-Sim, mas quem disse isso? Tá escrevendo do nada?

- PORRAS.

- Como é?

- PORRAS.

- Temos que terminar isso ainda hoje.

- Achei algo que fundamenta praticamente tudo que faltava.

- Opa, qual desses livros, página e nome do “cara”?

- PORRAS, esse é o "cara". O nome dele, ou melhor, o sobrenome, é PORRAS.

- Então põe aí nessa porra que PORRAS é que afirmou isso.

Gargalhada geral. Não sei se pelo nome do “cara” ou por ter encontrado a fundamentação.

quinta-feira, 12 de março de 2009

VirtualBox

Gostaria de testar algum sistema operacional, mas tem receio que possa ocorrer algum erro na instalação ou perder alguma configuração atual? A solução para este problema chama-se "virtualização". Como este blog não tem finalidade técnica, dito de forma simples, é como se criasse um computador completo dentro do outro. Aí é só fazer as instalações e testes que desejar sem risco para seu sistema atual.

Das soluções de virtualização disponíveis, escolhi a VirtualBox da Sun Microsystems e passei algumas semanas "brincando". Além de ser livremente disponível, é simples de usar desde que se tenha um conhecimento mínimo de instalação de sistemas operacionais e de redes de computadores. No site da VirtualBox, há uma muita documentação explicando os conceitos da virtualização e como operar a solução.

A figura acima (clique para ver ampliada) é uma tela capturada do meu laptop. Nela é possível ver o Windows Vista no qual instalei a VirtualBox, criei uma máquina virtual e instalei o GNU/Linux (Debian).

Para quem quiser se aventurar:

http://www.virtualbox.org


sábado, 14 de fevereiro de 2009

Would You Be My Valentine?


Alas, that love, whose view is muffled still,
Should, without eyes, see pathways to his will!

(Shakespeare´s Romeo and Juliet - Act I, Scene I)



Manhã de domingo. Na rua, um termômetro marca 17°F. O vento frio deixa o rosto avermelhado. O sol clareia, ofusca, mas não aquece. Saí da 8th Ave e estou caminhando na 49th St em direção a 5th Ave. Não prestava atenção a muita coisa. Estou fixo no meu destino, que era visitar a Catedral de St. Patrick.

Atravesso a 7th Ave, a Broadway Ave, a Ave of Americas. Por fim, chego a 5th Ave e dobro a esquerda. Começo a observar que as vitrines das lojas tinham uma predominância de um vermelho intenso. Vinhos, chocolates, flores, cartões, sugestões diversas de presentes românticos e até mais geek como laptops com fita vermelha e laço. Lá estava o sistema se passando por sentimental para se alimentar mais.

Era Valentine´s Day! A constatação lembrava-me vagamente de uma história que tinha lido algum tempo atrás. Um imperador romano, Claudius II, percebera que homens solteiros eram melhores soldados do que os casados. Por isso, decidiu proibir o matrimônio de jovens. Um religioso, Valetim, considerava injusto o decreto e continuou a realizar, em segredo, os casamentos de jovens apaixonados. Claudius, insatisfeito, ordenou a morte de Valetim, que provavelmente ocorrera em um 14 de fevereiro. Assim, o dia de São Valetim ficou sendo o dia dos namorados em diversos países.

No Brasil, sobre o 12 de junho já tinha ouvido duas explicações. Primeiro, que a data é véspera do dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro. Segundo, que os comerciantes não queriam a data em fevereiro por causa da proximidade do carnaval, que é um período de boas vendas. Mas no fundo, penso, carnaval é mais peito e bunda de fora do que troca de presentes de casais apaixonados.

Distraído com esses pensamentos que me acompanhavam na caminhada, imaginei que estaria perto do meu destino. Foi então que, do outro lado da avenida, contemplei uma das construções mais maravilhosas que já tinha visto. As duas torres da Catedral de Saint Patrick me deixam admirado, literalmente boquiaberto. Atravesso a avenida e circundo toda a igreja, tentando absorver e deixar gravado na mente cada detalhe da arquitetura. Uma construção impressionante que ocupava uma quadra inteira.

No interior, observo as colunas e arcos, tudo extremamente grandioso. Proposital, pensava. Para que, simbolicamente, as pessoas se sentissem pequenas diante do mistério da criação. Por ser dia dos namorados, não poderia deixar de pensar na realização de um casamento naquela igreja. Não, não me imaginava casando. O que eu imaginava é que eu pudesse assistir à realização de um matrimônio em um local tão bonito. Provavelmente, era o Valentine´s Day influenciando meu pensamento.

Saí da igreja para continuar minha caminhada e visitar outros lugares. Em uma vitrine, em um cartão gigantesco, havia os dizeres:

Would you be my valentine?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Faltou Um Estampido

Estrada de chão. Barro e pedregulho. No caminho, vegetação mista, algo entre o agreste e o sertão. Comecei a reconhecer alguns pontos. Estava perto da logoa, onde estavam todos. Talvez tenha me afastado demais a pé, pensei.

Era possível ver ao longe uma ou outra casa. Casas de taipa. Em algumas, estava visível a armação de varas na qual é socado o barro. Sentia o calor queimando o rosto mesmo quando passava pela sombra de uma ou outra árvore de beira de estrada.

Ouço o barulho de pneus. Olho para trás e vejo a nuvem de poeira que se aproxima. Como se não bastasse o calor, penso, agora vou comer muita poeira.

O carro para ao meu lado. Imagino que vai pedir informações. Não conheço bem o local e meu GPS tinha ficado no acampamento. O vidro lateral baixa suavemente. Sinto o ar frio do ar condicionado que escapa e consegue me atingir. Não sou bom em identificar modelos de automóveis...

- Quer uma carona?

O suor que já estava no rosto por causa do calor mistura-se a outro que acabara de chegar. Sensação de extremo alerta percorria o corpo. Estresse. Havia algo errado. Se era apenas uma falsa intuição, não sei. Pronto para recusar, pergunto:

- Para onde está indo?

A resposta confirma que não era louco meu pressentimento:

- Para onde você quiser.

O pensamento é tão rápido. Para descrevê-lo, no entanto, gastamos tanto tempo e, ainda assim, não fica bem descrito. Um sensação que era uma mistura de irritação e pena. Era um homem de meia idade na direção do veículo e eu um rapaz de 19 anos que tinha saído com um grupo de amigos, todos de moto, para acampar à beira de uma lagoa. Como as pessoas se arriscam, eu raciocinava. Pegam qualquer um em uma beira de estrada, sem saber se tem uma arma ou o que poderia fazer. Ou alguém pega uma carona com um desconhecido e não sabe aonde irá.

- Não estou precisando de carona, obrigado.

A pertinência ofusca a piedade. O condutor apalpa a própria bunda:

- Tem certeza? Você não sabe o que está perdendo.

Perdendo tempo, pensei. Responder mais alguma coisa seria partir para a violência. Prossigo na minha caminhada sem dizer mais uma só palavra. O carro parte em alta velocidade. Agora, sim, começo a comer poeira.

Menos de 100 metros depois, ouço um assovio. Era algo familiar, uma música, que sabia ser de algum filme. Procuro institivamente a direção. Parece vir de uma casa de taipa, perto da estrada. Tento a todo custo identificar. Sorrio, pois veio a resposta ao pensamento: "O Dólar Furado"! Era um western a que tinha assistido alguns anos antes. Só não sabia o nome da música. Bem que aquela região seca e poeirenta combinaria com filmes desse estilo. Para completar a cena, talvez tenha faltado apenas um estampido alguns minutos antes...

Finalmente, chego de volta ao acampamento:

- Vocês nem imaginam o que me aconteceu...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Dúvida II

Você acabou de conhecer uma pessoa. A única referência é ela própria. Digamos que estavam em uma festa. A pessoa te convida para “sair”. Você vai ou fica? Confia na intuição ou na paranoia?

Dúvida

Navegar na internet talvez seja como andar pelas ruas de uma cidade. Se você a conhece bem, tem internalizadas as áreas mais e menos confiáveis. Se você, porém, está em uma cidade desconhecida, como decidir quais ruas podem ser percorridas com tranquilidade?

sábado, 17 de janeiro de 2009

O Grande Sacrifício (update)

O Facebook decidiu bloquear o aplicativo da Burger King. De acordo com o site de relacionamento, a preocupação era relativa à privacidade dos usuários. Quem é excluído não recebe notificação, mas o aplicativo Whopper® Sacrifice enviava uma notificação humorística avisando a troca do amigo pelo sanduíche. A Burger King decidiu, após o bloqueio do Facebook, “sacrificar” a promoção.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O Grande Sacrifício

Você trocaria 10 “amigos” virtuais por um sanduíche?

A Burger King está ofertando um hambúrguer gigante, o Whopper®, para que sejam excluídas 10 pessoas da sua lista do Facebook. Para participar da promoção, é necessário efetuar o download de um aplicativo. Os cupons são enviados por correio convencional.

A campanha limita-se a 25 mil hambúrgueres, ou seja, 250 mil excluídos do Facebook e cada usuário só tem direito a um cupom. Ao acessar o site, o contador já indicava mais de 208 mil “sacrificados”. O Whopper® é vendido a 3,69 dólares, ou seja, o custo de cada “amigo” é de cerca de 37 centavos de dólar.

Facebook é um site de relacionamento nos padrões do Orkut. Não é muito popular no Brasil e a promoção não vale por aqui. Se valesse e fosse no Orkut, não ia ter estoque de sanduíche que atendesse à demanda, pois os usuários de cá adicionam de tudo à lista de supostos “amigos”.



http://www.facebook.com/

http://whoppersacrifice.com/

domingo, 11 de janeiro de 2009

Era Dia de Reis


Era dia de reis. A “Ave Maria”, já tinham tocado na igreja. Passava das 18h. Na verdade, ao olhar para o velho relógio da sala, o menino percebeu que faltavam “quinze pras sete”. A impaciência infantil, como se sabe, faz o tempo tornar-se eterno. Sabia que seus avós sairiam pontualmente às “dez pras sete” para ir à missa. Teria de suportar toda a liturgia para que depois pudesse, finalmente, passear no parquinho de Natal. Era o último dia, na pracinha da cidade do interior.

20h. O “vamos em paz e o Senhor nos acompanhe” merecia mais do que um “amém”. Merecia mesmo era um grito de contentamento, um pulinho de alegria. Até palmas merecia. Tudo isso contido em um sorriso. Uma coisa que passava por todo o corpo do menino como um leve choque muito prolongado. Toda aquela energia pueril canalizada para brincar no parquinho. Ele olhou a praça tão iluminada. Nas casas, os presépios e as árvores de Natal cheios de luzes. Tudo em sua volta aumentava o brilho que tinha nos olhos.

- Ah vô eu quero ir na rodagigante quero brincar no carrossel quero ir na barraquinha de tiro!

Tudo era dito num fôlego só, sem pausas.

- Calma, uma coisa de cada vez. Atirar é perigoso para crianças. Vamos comprar o bilhete do carrossel. Depois você vai para a barraca de pescaria pra ver se ganha um brinquedo bonito.

O carrossel tinha cavalos que subiam e desciam enquanto girava. Também, banquinhos que os casais, os que não se achavam mais tão crianças para montar, poderiam sentar e rodar abraçados, naquele afeto que só os apaixonados sentem quando estão juntos.

Na cabeça da criança, a noite era um giro de diversão como no carrossel ou na rodagigante. Ao dormir, o desejo que venha logo o outro dia, em um sono de contentamento. Outros dias de reis virão. Mas a ansiedade vai amenizar. Até que se torne um adulto e a felicidade seja relembrar aquele brilho no olhar em outros olhares infantis.


Nota: este é um texto de ficção.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Falta de acentos?

Nesta falta de acentos proposta pela subjetiva reforma ortográfica, resolvi, depois de um pouco de leitura, esfriar a cabeça assistindo a um filme.

Era uma estreia. Depois de aguentar a fila do cinema, finalmente consegui comprar o ingresso, entrar e encontrar um... assento! A plateia estava ansiosa. A sala era confortável, pois se tratava de um multiplex ultra-requintado. O problema era só a hiperatividade de algumas pessoas.

O filme começa. Os atores estão bem nos seus papeis. As atrizes são lindas. Ninguém quer, afinal, ver feiura na telona. O mocinho tenta salvar a mocinha. O bandido ameaça um contra-ataque. Algumas pessoas se mantêm em silêncio. Outras soltam gritinhos. No fim, Hollywood mantém a tradição do final feliz.

Depois do filme, aproveito o resto da tarde para fazer as compras em um hiper-mercado que fica ao lado do cinema. Nada mais prático.





Nota: este é um texto de ficção.